quinta-feira, 29 de julho de 2010

RaceTV - No Mundo do Lua #6 - Salve meu São Cristovão




Escândalo, marmelada, farsa, falcatrua, fiasco, papelão, mamata, vergonha. Todos correram atrás de adjetivos diversos para comentar o que aconteceu no GP da Alemanha disputado no domingo dia 25 de julho. Logo no dia de São Cristóvão, o padroeiro dos motoristas!

Sem o menor respeito por aquele que dizem foi um gigante (segundo relatos de 2m e 34 cm de altura) que transportava nas costas pessoas através de um rio. Nem se lembraram dele em nenhum momento do domingo enquanto a Ferrari fazia o seu dever de casa e criava uma cortina de fumaça para deixar seu Piloto, o número 1 e com mais pontos no Campeonato, vencer. Em detrimento de seu outro Piloto, o número 2 que liderava, e que teve a certeza de que deve servir de coadjuvante se quiser continuar guiando por lá.

Tão estranhando o que?
Muita gente estranhou, abominou e criticou o fato dizendo que a Ferrari já fez isso outras vezes justamente contra outro brasileiro, o Barrichello. Esqueceram que existem inúmeros outros exemplos de “Barrichellos da vez” que em diferentes ocasiões tiveram que ceder ao bem maior de suas equipes. Ou, colocando em “formulês” tiveram que apoiar uma decisão que prejudicasse menos suas equipes.

Esqueceram, por exemplo, que no dia 30 de maio de 2010 no GP da Turquia a McLaren (que não quis comentar publicamente o assunto da Alemanha) disse ao então líder Jason Button que ele tinha que economizar combustível e ele foi obrigado a deixar o Lewis Hamilton passar e vencer.

Por quê?
Porque equipe e pilotos são todos ingleses? Os inventores do fair play? Por que ninguém reclamou naquele então? A resposta é fácil, porque como disse o Schumacher (o primeiro a defender esse tipo de manobra praticada desde sempre e que já viu até piloto ser tirado de seu carro para dar lugar a outro mais bem colocado no Campeonato) a regra de que não pode haver jogo de equipe é uma regra sem sentido a partir do momento que se aceitam Equipes nas competições. É inerente, é fato e é inevitável.

Cada qual no seu lugar
Foi uma pena para o Massa que se viu privado de uma vitória exatamente um ano depois em que ele tinha sofrido aquele acidente na Hungria. Mas ele se recuperou, já que aconteceu também em um dia de São Cristóvão. Confiem que ele vai se recuperar deste último revés também, muito menos sério.

Oração do Motorista
Só resta recorrer ao esquecido São Cristóvão: “Ó Senhor, por intercessão de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, dai-nos firmeza e vigilância nos muitos caminhos da vida em busca de trabalho, lazer, felicidade e realização.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

RaceTV - No Mundo do Lua #5 - Sua Excelência o Kart




Quem diria que um simples cortador de grama pudesse chegar a ter a importância que tem hoje como Veículo de Competição?


Dinheiro
Quem imaginaria as enormes quantidades de tecnologia e dinheiro envolvidas para fazer com que esse cortador de grama evoluído se tornasse em um quase clone da Fórmula 1?


Grid

Quem sonharia que um dia 90% dos grids das competições com Automóvel em todo o mundo seriam compostos por Pilotos formados por esses cortadores de grama de última geração?



Golf

Quem arriscaria essa metamorfose, ainda mais nos Estados Unidos, em um País onde abundam gramados particulares pedindo bom trato e onde perto de 150000 (é, o número é por aí mesmo) campos de Golfe exigem atenção constante para continuar fazendo a alegria de milhões de golfistas amadores e profissionais?



É verdade

É, falando assim fica até difícil convencer alguém a acreditar que essa história não é história e sim fato. O Kart nasceu da adaptação de um cortador de grama e rapidamente deixou de ser uma de brincadeira para se tornar no início fundamental de qualquer carreira no Automobilismo. Essa base indispensável sobre a qual carreiras de sucesso são construídas e da qual cada vez dependem mais. Por mais que se fale e elogie o Kart nunca é demais, ou melhor, nunca é suficiente. Porque o Kart traz arraigado nele o verdadeiro Espírito da Competição Automobilística e sempre que é disputado de maneira controlada e equilibrada, dando condições iguais a todos, promove o talento.

Talento que tira do perigo das ruas e das tentações das ruas todo jovem que tem energia de sobra. Talento que empurra para o degrau mais alto do pódio quem é equilibrado, consciente e sabe quanto vale um banho de champagne. Talento de quem tem noção de justiça.


O Kart acelera e reage como um carro de Fórmula e quando digo isto estou pensando até na Fórmula 1, sem medo de exagerar. O Kart abriu para muitos um mundo inteiro de oportunidades e sensações. E o Kart mantém essa porta aberta para quem quiser experimentar.


Mas tudo deve ser feito a seu tempo, no seu ritmo, com vontade e consciência. Porque antes da recompensa tem sempre um sacrifício que nem sempre todos estão em condições, disposição ou idade de fazer. Afinal de contas não é toda hora que o pessoal quer sair por aí cortando grama.


segunda-feira, 12 de abril de 2010

RaceTV - No Mundo do Lua #4 - Mandando uma mensagem







Ele é o 1º colocado em números de largadas em rallys (196), 1º também em pódios (97), 1º em pontos conquistados (1242), o 2o maior vencedor de especiais em Rally (756), o 3º colocado em número de vitórias (26) e o 4º em número de campeonatos mundiais vencidos (2). Apelidado de El Matador, o espanhol Carlos Sainz é ainda o primeiro piloto não Escandinavo ou Finlandês a ter vencido o Rally dos 1000 Lagos na Finlândia e o primeiro espanhol a vencer o Rally Dakar em 2010.

Palavra do Carlos Sainz

Mas ele não está aqui, hoje, por causa dos seus números e sim por causa de uma frase que costuma dizer para esclarecer o mundo das competições. “De tempos em tempos é precisa mandar uma mensagem” ensina Sainz (pronuncia-se ‘ssáinss’ para quem quiser dar uma de locutor) e arremata “para mostrar do que podemos”. Todos os números do primeiro parágrafo são as provas maiores de que ele mandou e continua mandando diversas mensagens,



Fórmula 1. O poder de reação

Um pouco de chuva aqui e ali, uma pitada de confusão e excesso de confiança sobre estratégia, algumas sensacionais ultrapassagens e eis que depois de um GP de estreia monótono no Bahrain a Fórmula 1 aproveitou dois finais de semana seguidos para mostrar o seu poder de reação.

E mostrar também a sua capacidade de entretenimento começando já a apresentar alguns roteiros alternativos para aumentar o interesse da sua história. É o efeito “argumento de novela” que exige que por melhor que seja a espinha dorsal do tema, a audiência se conquista é com as tramas paralelas.

É a F1 mandando a sua mensagem



Fórmula Indy. Qual santo faz mais milagre?

A festa principal dos Santos Pedro e Paulo foi mantida em Roma no dia 29 de junho desde o século terceiro ou quarto. Hoje em dia os dois apóstolos ocupam duas datas diferentes nas pistas das ruas de duas cidades para as quais emprestam os seus nomes. São Paulo e Saint Petersburg (traduzindo: cidade de São Pedro) mostraram duas provas diferentes entre si, mas típicas da F Indy com muitas ultrapassagens, muitas alternâncias de posições e emoção garantida (mais uma vez a chuva entrou como ingrediente indispensável) até o final. Em termos de espetáculo poderíamos até dizer que São Paulo se saiu um pouco melhor, mas que a participação de São Pedro garantindo a chuva foi a prova definitiva de que 29 de junho está bem representado com os dois lado a lado no seu dia. É mais uma mensagem bem mandada.



Vem pra Stock você também, vem

Começou a StockCar cheia de novidades e em duas corridas, com dois resultados diferentes mostrou que neste ano pode ser mais emocionante. O que foi melhor de ver ainda foi o grid espetacular (40 carros) da Copa Montana. e o início do Mini Challenge mostrando que as novidades, quando bem apresentadas, têm sucesso garantido. É o Automobilismo no Brasil mandando a sua mensagem.